fevereiro 18, 2013

"Cuidado Escritores!" ou "Sonho e Ilusão"


Fiquei em dúvida sobre o título do texto, mas, não sobre o motivo para escrevê-lo. Estava lendo essa semana o desabafo de uma escritora, no blog Literatura Fantástica onde ela relata como se sentiu ludibriada por uma editora. Sinceramente me choquei mais com a inocência da escritora do que com o procedimento da tal editora. 

Explico: Propostas como a que a escritora recebeu - e aceitou - chegam de tempos em tempos em meu e-mail. Então, não tenho dúvidas que a prática de cobrar para publicar seja algo banal entre as editoras. E praticamente todas oferecem cadastro de IBSN, criação de capa, revisão de texto, diagramação e distribuição em um mesmo pacote. E o autor ainda recebe um número de cópias, para fazer o que quiser... parece ótimo, não?

Então, o autor junta suas economias - ou consegue o dinheiro através de familiares ou empréstimos - acreditando que vai dar certo! O seu sonho finalmente vai se realizar! Em seus sonhos imagina entrar na Saraiva e ver seu livro na prateleira, ou, aparecer no Jô Soares para dar entrevista. Finalmente ser reconhecido(a) por seu trabalho!

Tudo ilusão. Os poucos escritores famosos no Brasil - todos vocês sabem que não há incentivos - são bancados por grandes editoras, uma boa estratégia de marketing, por vezes um "padrinho" famoso e muito, muito raramente alguém que saiu do nada. Um exemplo quem deu certo no Brasil foi Eduardo Spohr.

Eduardo Spohr é hoje o maior campeão de vendas da nova geração de escritores brasileiros. Seu livro A batalha do Apocalipse, com mais de 200 mil unidades vendidas, contou com Ottoni e Pazos (do site Jovem Nerd) entre os primeiros leitores. O sucesso da obra se deve em grande medida à insistência da dupla em publicar o livro do amigo. A batalha do Apocalipse virou tema de um programa do Nerdcast em 2007, foi editado pela equipe do Jovem Nerd e, apenas com a venda exclusiva no site, vendeu mais de 4 mil exemplares. “Aí começou o bochicho, com a ajuda das redes sociais”, afirma Eduardo Spohr. Por fim, a editora Record contratou Spohr para seu selo Verus, e o livro se tornou um best-seller. O segundo livro de Spohr pela Verus, Filhos do Éden, de agosto de 2011, vem obtendo sucesso semelhante. (retirado da revista Época)
Mas ei, isso não quer dizer que você vai ter a mesma sorte - independente de ter ou não o mesmo talento. Óbvio que eu torço para que cada vez mais autores independentes alcancem o sucesso. Quanto mais literatura nacional de qualidade no mercado melhor. Mas tomem cuidado. Cuidado Escritores!

Vamos voltar ao desabafo que inspirou esse post. Acho que há um equívoco quanto ao título: Editora sob demanda: a maldição literária. Ao que parece, não é uma editora sob demanda. 

Impressão sob demanda (do inglês: Print on demand, às vezes também Book-on-Demand) é um método de impressão e modelo de negócios em que as cópias de um livro (ou qualquer outro documento) não são impressos até que seja encomendado. A Impressão sob demanda foi desenvolvida graças à tecnologia de impressão digital, que permite imprimir cópias de um livro num momento em que forem solicitadas pelos leitores, algo improvável em métodos tradicionais de impressão[1]. (Wikipédia)
Nesse caso o que houve foi um contrato de publicação de X exemplares. Numa editora sob demanda não existe número de exemplares publicados. Eles só são impressos sob pedido de compra, ou seja, sob demanda. E não acho de forma alguma que as editoras sob demanda sejam "a maldição literária". Elas são uma forma de autores independentes e amadores publicarem seus livros sem custo. 

Isso não impede que você possa investir no seu trabalho. Pagar um revisor, um capista e um diagramador (se você tem dinheiro para isso) vai tornar seu livro um produto de maior qualidade. Em editoras Print on demand o autor tem desconto se comprar vários exemplares de seu livro. Numa conta rápida, percebi que com os R$ 9.000,00, teria todos os procedimentos e muito mais livros em mãos, pelo Clube de Autores a editora on demand  onde publico meus livros. Sendo assim, pense bem antes de aceitar propostas de editoras para financiar seus livros. 

Enfim, querido colega escritor, não desista de seus sonhos, continue a escrever e tenha cuidado para que seu sonho não se transforme em pesadelos!

Um xero!

2 comentários:

  1. Concordo com você. Quando li aquele post também fiquei mais surpresa com a inocência da escritora.
    Muitas vezes acho que existe um excesso de sonho e pouco pé no chão e na realidade. Pouquíssimos escritores aparecem "do nada" e são sucesso imediato. Até mesmo escritores super stars como Nora roberts e James Patterson tiveram anos de labuta antes do sucesso.

    bjs
    Thaís

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  2. Simplesmente sensacional o seu post, minha querida. Li ontem esse post-desabafo da autora e concordo com o equívoco no título do post e também dizer que aquela editora publica sob demanda, ou tantas outras que falam isso, mas na verdade não publicam. Também tenho livro no Clube de Autores, como você bem sabe, e lá sim é de fato sob demanda. Também não acho que as publicações sob demanda sejam uma maldição literária, desde que sejam de fato sob demanda. Amei a sua bela explicação! Show de post! Parabéns! Vou divulgar!
    Beijo, beijo
    She

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